CHEIROS E PERFUMES III
por Isabel De Azevedo Noronha a Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012 às 7:45 ·
As melhores memórias que guardamos na vida estão sempre ligadas a cheiros excelentes, ou gostosos, apetitosos...
O cheiro das giestas em flor anuciam sempre que o Verão está aí, as viagens da nossa vida estão sempre ligadas ao cheirinho gostoso do avião limpo, do perfume do pequeno almoço, do carro recém comprado, das vielas e ruelas vadias, das lojas incomparáveis, dos souks do Norte de África, da Paris tão linda e cínica, de Londres cinzentona e fria, de Nova Iorque buliçosa, de Xangai e comida esquisita. Não me diga que não as têm???
Em pequenina adorava o cheirinho a pó de arroz da cara da minha mãe, do Old Spice confortável no rosto do pai, dos Natais em família guardo o cheiro dos fritos da avó Clara, e da sopa do cozido que me recusava a comer, horas de castigo em frente ao prato que ninguém me convencia a comer. Ai a folha de hortelã...
De Luanda as recordações são mil! A Tifa, aquela máquina fedorenta que despejava insecticida em gás na minha carinha de criança lá no Miramar, cheiro de tiros e guerra lá na rua, o bolor agonizante do armário onde nos escondíamos no início da guerra, o bolo acabadinho de cozinhar pelo Justo, o escape do carro do pai, a praia da Ilha onde íamos a banhos ao fim de semana, a maré vazia e seu cheiro um tanto agreste.
Anos mais tarde mudaram os cheiros da minha vida! Era o delicioso shampoo a caramelo que o pai trazia de Londres, o cheiro doce do Pirulito que comprava na esquina em Óbidos, as torradinhas da avó Clara, o Shelltox que fazia nuvens sem moscas incomodativas, a espuma de banho Badedas cujo cheiro ainda sinto nas narinas, o baton de morango que lambia gulosamente e a Àgua de Colónia Fréo que me aliciava para dias divertidos.
De Paris e das Galeries Laffayettes trouxe o cheiro do requinte e da beleza, tudo envolto em nuvens intensas de luxo, couro e peles, perfumes intemporáveis e pedaços de coco comprados a um vendedor ambulante de origem duvidosa.
No gabinete do pai bebiamos o cheiro do café fresco e das vilutas de cigarro (Caricocos claro) do pai...
Na Oxford Street abastecia-me regularmente no Selfridge's, das viagens do pai vinham as delícias que já não posso usufruir, no Barracuda despejávamos em todos o belo e gostoso bronzeador Aramis do mano Jorge, nas cadeiras usufruia da invejável mordomia de uma cidade de sonho de cheiros mil, incongruentes como a vida...
Por hoje vos deixo com alguns dos cheiros e perfumes da minha vida que recordo...COM SAUDADES!!!

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